Casos de Sucesso
 

Performance das janelas de PVC e alumínio ao longo do ciclo de vida

Entre junho de 2012 e setembro de 2013, a Fundação Espaço ECO® realizou um estudo muito relevante para o Instituto do PVC1: comparou o desempenho de janelas de PVC e de alumínio de um metro quadrado, considerando os horários comercial e residencial.


Ambas as janelas são do tipo veneziana de correr, na cor branca, constituídas de três folhas de PVC ou alumínio, uma folha veneziana móvel, uma folha de vidro móvel com espessura de cinco milímetros e uma folha cega fixa. Para fazer essa comparação, detalhou-se todo o ciclo de vida dos produtos, desde a extração das matérias-primas até a destinação final, com a medição dos impactos causados em cada estágio do ciclo de vida.

No caso do alumínio, primeiro ocorre a extração da bauxita, na Serra dos Carajás (PA); depois, o transporte para indústrias como CBA, Alcoa e Alunorte, onde a alumina é produzida e o alumínio passa pelo processo de extrusão. Posteriormente, as barras de alumínio seguem para São Paulo, na cidade de Indaiatuba, onde as janelas são montadas. Por fim, as janelas prontas seguem para os revendedores na Grande São Paulo.

Para a produção do PVC, são utilizados como principais matérias-primas o cloro (57%) obtido a partir de salmoura (cloreto de sódio) e o eteno (43%), derivado da nafta (petróleo). No caso do estudo foram consideradas as unidades da Braskem em Alagoas e Bahia. A partir daí, o PVC segue para São Paulo, onde é extrudado e se transforma em barras de PVC. Essa produção ocorre na unidade da Tigre na cidade de Rio Claro. A última etapa ocorre na Claris, em Indaiatuba, e consiste na montagem da janela e na posterior revenda na Grande São Paulo.

As aparas de PVC e de alumínio são respectivamente enviadas para reciclagem nas cidades onde as janelas são montadas – Rio Claro e Indaiatuba, respectivamente.

1 | Fundado em setembro de 1997, representa a união de todos os segmentos da cadeia produtiva do PVC no Brasil e um conceito de gestão associativa diferenciado. Conta, entre seus associados, com fabricantes de matérias-primas, produtores de resinas, aditivos e compostos, transformadores, recicladores, distribuidores, entre outros.

 

DESAFIOSOLUÇÃO E FERRAMENTAS

 

A análise procurou identificar qual dos dois produtos é o mais ecoeficiente, levando em conta os aspectos ambientais e econômicos, ao longo de 40 anos, mantendo o ambiente a uma temperatura de 24°C na Região Metropolitana de São Paulo. Para abranger a diversidade de climas no país, foram desenvolvidos cenários para avaliar o comportamento das janelas em temperaturas de outras cidades como Curitiba e Natal, levando-se em conta os períodos residencial e comercial.

 

 

A ferramenta de Análise de Ecoeficiência permite comparar produtos e processos, tendo em vista aspectos ambientais e econômicos, de acordo com a série de normas NBR ISO 14040 – Avaliação de Ciclo de Vida. Considerou-se a mesma vida útil para as duas janelas, o preço de mercado das janelas e o custo da utilização do ar condicionado ao longo do dia, sendo que o horário comercial corresponde a um período de 10 horas, e o residencial, de 14 horas.

 

Dentro da premissa de quantificar os impactos gerados “do berço ao túmulo”, buscou-se observar cada etapa separadamente. O estudo focou na produção das esquadrias, utilidades, montagem, instalação e manutenção das janelas, consumo de eletricidade para funcionamento do ar condicionado, destinação final das janelas e transportes envolvidos nessas operações. Para tanto, a FEE® avaliou os impactos em relação ao consumo de energia, às emissões, ao uso da terra, ao potencial de toxicidade, ao potencial de risco e ao consumo de recursos materiais.

 

 

 

RESULTADOS

A janela de PVC apresentou melhor desempenho em 10 das 11 categorias ambientais analisadas em relação à janela de alumínio Na categoria Consumo de Energia, que se destacou como a de maior relevância no estudo (31%), a janela de PVC teve melhor desempenho, pois, no processo de produção, ela apresenta consumo de energia 2,3 vezes menor em relação à produção da janela de alumínio. Na montagem, foi observada vantagem da alternativa em PVC por não precisar de pintura, visto que é naturalmente branca, ao contrário da de alumínio, que precisa de pintura eletrostática, processo que consome muita energia elétrica.

Além disso, tendo como referência o estudo de transmitância térmica desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina, a janela de PVC apresenta maior capacidade de isolamento térmico e também melhoria em seu desempenho econômico, graças ao menor consumo de energia elétrica com o ar condicionado quando a temperatura externa se afasta da temperatura definida como conforto térmico (24°C).

Tomando como base resultados do estudo, a economia de energia obtida durante um ano, em todo o Brasil, com a instalação de uma janela de PVC em vez de uma de alumínio em habitações que possuem ar condicionado seria equivalente ao consumo de 415.776 casas durante um ano. Ao considerar o uso de seis janelas de PVC, a economia seria equivalente ao consumo de 2.494.656 casas em um ano. Na categoria Consumo de Recursos, que tem 22% de relevância no estudo, o PVC também teve o melhor desempenho, principalmente na fase de produção das esquadrias, na qual o consumo de recursos da opção de alumínio é 4,9 vezes mais intensivo em relação à de PVC.

Potencial de Toxicidade é a terceira categoria com maior relevância (18%) e mais uma na qual a janela de PVC sobressai, apresentando duas vezes menos pontos de toxicidade do que a janela de alumínio. No quesito Potencial de Risco, que tem 14% de relevância para o estudo, o PVC também se saiu melhor, em especial nas fases de produção, montagem e instalação.


O PVC se apresentou ainda mais ecoeficiente em função do seu menor impacto nas categorias de Resíduos Sólidos, Efluentes Líquidos, Uso da Terra e Potencial de Aquecimento Global, Acidificação e Formação Fotoquímica de Ozônio. Dentre as categorias ambientais, o alumínio só possui melhor desempenho em Potencial de Deformação da Camada de Ozônio, a qual tem a menor relevância no
estudo (0,3%).

Na avaliação do impacto econômico, considerou-se o valor de mercado praticado na Região Metropolitana de São Paulo para o consumidor final. Observa-se uma diferença inicial entre as janelas de PVC e alumínio de mais de 40%. Ao longo de sua vida útil, devido ao desempenho térmico mais eficiente da janela de PVC, a diferença inicial de preço de mercado cai para cerca de 10%, ou seja, em quatro décadas, o custo com eletricidade da janela de PVC representou 30% do seu preço de mercado, enquanto, na janela de alumínio, o valor totalizou 104% de seu preço. Em uma análise final, conclui-se que, quanto maior a diferença entre a temperatura externa e a temperatura de conforto, maior a necessidade de consumo de eletricidade para funcionamento do ar condicionado, seja para aquecer, seja para refrigerar. Com o uso de janelas de PVC, que possuem melhor isolamento térmico, esse consumo é reduzido, resultando em um desempenho mais ecoeficiente.

2 | LabCon – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

DEPOIMENTO

 

"A pesquisa abriu um canal de comunicação com a sociedade sobre os produtos plásticos a partir da ótica da análise do ciclo de vida. Trouxe a oportunidade de conhecermos como cada material se comporta, além de avaliar os atributos das janelas de PVC sob o ponto de vista ambiental, social e econômico. Com essas informações em mãos, conseguiremos mostrar as reais características dos produtos que promovemos. Como a metodologia da Fundação Espaço ECO® é extremamente eficiente e didática, será possível planejarmos uma divulgação consistente, com embasamento científico e informações técnicas suficientes para nortear o diálogo com os formadores de opinião sobre os benefícios
das janelas de PVC".


Miguel Bahiense, Presidente do Instituto do PVC.

 

 

 

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